
( Ao som de "Mentalize", 2º disco da banda solo de André Matos...pois é,achei este segundo registro da "Musa Nissei Sansei" mais maduro e consistente,estando bem mais nítidas influências de hard rock em algumas passagens... O disco de estréia "Time to be free" soava muito mais como um "best of" de sua carreira-ainda que devido à produção com participação de Roy Z,a sonoridade houvesse adquirido algumas nuances mais "modernas"; dia 13 de dezembro houve show em Recife- no glorioso Sport Clube do Recife,rs- e pude conferir a performance da banda...particularmente, o baterista Eloy Casagrande,apesar da pouca idade,é um grande destaque...além da técnica bem apurada,toca de forma bem solta,cheio de trejeitos e macaquices,rs...o que chama atenção,de forma negativa,infelizmente,é que o público anda "minguando"..creio que o público-sendo eu generoso nesta estimativa- ficou em torno de 400-500 pessoas...mas mesmo assim,foi um bom show,com boa performance da banda e aqueles probleminhas de sempre no som,rs-guitarras embolando aqui e acolá,por exemplo...)
Meu último post foi no começo de outubro..e sem dúvidas,outubro foi um mês movimentadíssimo para mim: iniciava-se o último rodízio do Internato...e ficava cada vez mais perto" a hora de morfar",ops,de ser médico,rs...Meu estágio na parte de Gestão em serviços de saúde deu-se dentro de Centros de Atenção Psicossocial( "CAPS"),nas modalidades transtorno( adulto), AD( Álcool e Outras Drogas) e infantil( sendo em um que atendia crianças de 0 a 12 anos e outro que assistia um público de 12 a 18 anos).
Para quem não sabe, o CAPS foi/é um das ferramentas encontradas para a reorientação da política nacional de assistência à saúde mental, buscando romper com a lógica hospitalocêntrica/asilar,investindo no doente e não somente em sua doença....um dos principais problemas enfrentandos no início de sua implementação( além da falta de recursos humanos capacitados para atuarem dentro de uma lógica multiprofissional) foi o financiamento: até a segunda metade da década de 90,mais de 70% dos recursos do SUS destinados à saude mental eram investidos no pagamento de serviços asilares. Hoje,esta proporção encontra-se invertida-descobri na prática que aquela mesma APAC(Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade),que eu cansara de preencher quando solicitava alguma tomografia ou ressonância magnética, é o que subsidia o tratamento dos usuários que ingressam no CAPS.
Uma questão seríssima vivenciada foi de que existe um estrangulamento do número de profissionais de saúde mental no serviço público ( por diversos fatores,tao sabidamente conhecidos,como as más condições de trabalho e remuneração insatisfatória), o que gera uma grande demanda reprimida..além do que,que tipo de capacitação tem o médico não-psiquiatra( dentro da lógica da atenção básica) para lidar com o sofrimento psíquico sem que saia prescrevendo indiscriminadamente Fluoxetina e Diazepam?Um exemplo positivo neste sentido eu tive no meu rodízio de "Medicina de Família e Comunidade" em 2008, em Coqueiral.
Aliás,que tipo de visão sobre o CAPS tem a sociedade?Especialmente no serviço de transtorno (adulto) por onde passei, a impressão que tive é de que muitos familiares tem aquele local como uma espécie de "depósito"para seus doentes..além disto,ressalta-se também o processo de "adoecimento" do trabalhador em saúde desta área( que rendeu a piada interna naquele serviço de "Síndrome do CAPS"). São impressionantes também os relatos de violência que tive dos usuários do CAPS AD-sim,o mundo é brutal( e especialmente na situação do AD,é evidente que uma "ação intersetorial" é necessária).
Não posso deixar de ressaltar,obviamente,os bons exemplos que presenciei,sobretudo no CAPSi Cempi- de todos os serviços,ele é o que tem uma dinâmica ,digamos,menos "engessada" e parece fornecer o melhor suporte aos seus usuários( putz,nunca pensei que fossem tantas as dificuldades de uma criança com os chamados "transtornos invasivos/desintegrativos do desenvolvimento"...é assustador você ser incapaz de se alimentar,de ter cuidado corporal adequado..e tive uma prova de que o mundo gira,o mundo é uma bola,rs...acabei reencontrando uma criança que havia visto no agora longíquo ano de 2004, no módulo de "Saúde e Sociedade", meio àquelas subidas e descidas de ladeira em Rosa Selvagem..naquela época,diziam que ela tinha algo de "diferente"-hoje ela tem o diagnóstico de autismo...).
Como futuro neurologista( sim,após muita ladainha,finalmente optei pela minha velha conhecida,rs) irei me deparar com muitas pessoas com problemas "dos nelvos"...e muitas vezes,não é um problema neurológico,mas sim psiquiátrico. Assim,foi proveitoso ter tido este contato mais próximo com a saúde mental ainda na graduação( na Residência Médica em Neurologia, você "roda" um tempo na Psiquiatria).
Continua....( possível tema da próxima postagem "Ma chérie,ma belle").
